Bike elétrica, entrevista com Claudio Kerber

Hoje em dia não é muito difícil se deparar com uma bike elétrica rodando em São Paulo, mas quais serão suas vantagens? E as desvantagens?
Pouco tempo atrás conheci o Claudio Kerber (@oclaudiobr no twitter), ele é um maníaco por bikes dobráveis, muito pela facilidade que ela trás. Há alguns meses por motivos de saúde ele foi desaconselhado pelo médico a usar a bike como transporte, para não forçar. Logo ele comprou uma bike dobrável e elétrica pra suprir suas necessidades e continuar a fazer bem tanto para ele, quanto parar o meio ambiente.
Sendo assim resolvi perguntar algumas coisas pra ele, que já se tornou um usuário constante de bike elétrica. Aproveite as questões pra sanar algumas dúvidas e curiosidades =).

Claudio fantasiado de ciclista urbano

PARACICLO: Você acredita que a bike elétrica pode levar mais pessoas a utilizarem a bike como transporte?

CLAUDIO: Definitivamente sim. A quantidade de amigos que passou a considerar a ideia com mais carinho depois de conhecerem a bike elétrica é grande. Acho que muitos que estão quase adotando a bike tem como maiores restrições as ladeiras e o suor, duas coisas que a elétrica ajuda a diminuir bastante.

O pessoal também gosta da ideia de você poder pedalar. A bike elétrica fornece um meio termo para quem está sedentário e não quer começar já fazendo muito esforço.

PARACICLO: E o “preconceito” de muitos acharem que uma elétrica, não é uma bike. Você sofreu com isso?

CLAUDIO: Eu acho que fui vítima de “auto-preconceito”. Como pedalo direto faz oito meses e fui obrigado a optar por uma bike elétrica por um problema de saúde, me sinto mal por não sentir mais aquele prazer maravilhoso de avançar pela cidade usando apenas a força do meu corpo.

Vou dizer que sempre abanei e disse “bom dia” para todos os ciclistas que cruzam meu caminho, mas desde que estou com a elétrica me sinto mais retraído. Parece que estou trapaceando. Engraçado é o sucesso que ela faz com os motociclistas, afinal, eles estão habituados a serem propelidos por uma fonte externa e força.

A bike elétrica tem como mote que a velocidade média é mais importante do que a velocidade máxima. É muito engraçado quando estou em uma via com muito trânsito e sinais vermelhos ao lado de, por exemplo, uma moto potente que faz aquele barulhão. O motociclista arranca rapidamente no sinal e some… em seguida eu alcanço ele (a fantásticos 25 Km/h) no próximo sinal. Um dia fomos assim por quatro sinais, acho que ele quase desistiu dos combustíveis fósseis.

Uma coisa que me entristece bastante é a perda de autonomia. A bike agüenta a viagem de ida ou de volta com uma carga, ou seja, não posso fazer outro caminho, nem mesmo cogitar a ideia de participar de uma pedalada com o pessoal. Quando passo pela praça do ciclista nem olho mais.

Com a bike normal eu dava umas esticadas ao sabor do vendo e acabava fazendo 60 Km de pedal em um dia.

PARACICLO: Quanto a performance? Principalmente em subidas, você acha que é satisfatório?

CLAUDIO: Quanto mais leve você for, melhor. Para quem pedala, subir ladeiras com ela é brincadeira de criança. A minha precisa mesmo de alguma ajuda para encarar uma Campinas ou Brigadeiro, mas existem modelos aro 27” que sobem só no motor com facilidade.

Quanto à velocidade, é o que eu falei ali em cima, é um meio de transporte para quem se preocupa com a velocidade média. Volta e meio me perguntam “mas e morro abaixo? Deve voar!”, não é bem assim. O pedal tem marcha, mas o motor (que fica no cubo) não tem, ou seja, na descida a roda gira mais rápido do que o motor, ele fica em falso.

Agora, façamos as contas, é muito mais rápido e seguro ter uma velocidade média alta. Não existe nada mais patético do que um veículo potente se arrastando a 20 Km/h em uma via. Você está usando um veículo otimizado para outra situação, poluindo muito e jogando dinheiro fora.

PARACICLO: Como muitos tenho uma dúvida pessoal, qual o tempo pra carregar uma bateria e quanto tempo ela agüenta? Já ficou na mão por acabar no meio do caminho?

CLAUDIO: A minha bike carrega a bateria em uma tomada normal em religiosas três horas, nunca levou nem mais nem menos (a não ser que já tivesse carga). A primeira bateria que comprei tinha defeito, começou a acabar bem na hora que eu chegava na ladeira para a Av. Paulista. Estava na garantia, troquei e agora ela agüenta exatamente até onde preciso (ufa).

Minha rotina é chegar no trabalho e colocar para carregar, meio dia está cheia. Ao chegar em casa é a mesma coisa, colocar para carregar. Se eu esquecer de carregar não saio de casa no dia seguinte.

As pessoas perguntam quanto tempo ela dura. Isso é muito relativo. Eu prefiro falar em distância. Em um ambiente ideal ela faz quase 40 Km, comigo, no meu caminho cheio de sinais de trânsito (arrancadas gastam muito) e subidas, faz 12 Km.

Mais uma vez lembro que existem modelos mais poderosos (bikes de até 5 mil reais) que vão mais longe e mais forte.

PARACICLO: A manutenção dela é simples como as bikes comuns? No caso da sua, tem assistência técnica em diversos locais?

CLAUDIO: Tudo menos o motor e os cabos é exatamente igual a uma bike comum. A assistência técnica é feita pelo importador que, felizmente, fica bem no caminho do meu trabalho e atende bem (substituiu a bateria sem grilos).

PARACICLO: A sua é uma elétrica e dobrável, você que já utilizava uma dobrável esta sofrendo muito com o peso da elétrica? E o tempo gasto pra dobrar a bike, aumentou?

CLAUDIO: Minha dobrável normal pesa 11 Kg, a elétrica pesa (com a bateria) 28 Kg. É muito peso. Passei um tempo dobrando ela e trazendo para o escritório, mas agora preferi deixar no estacionamento gratuito da Porto Seguro (muito bom).

Ainda acho interessante ser dobrável, pois mesmo pesada, é pequena e é possível dobrar e colocar no porta-malas de um carro. Isso pode quebrar um baita galho.

PARACICLO: Pra finalizar, você troca uma bike comum por uma elétrica?

CLAUDIO: Pessoalmente espero ficar bom do meu problema de saúde e nunca mais precisar de motor para pedalar, contudo, recomendo fortemente a bike elétrica para quem quer tentar um ótimo meio de transporte alternativo que polui pouco o ar e não faz barulho.

Acredito que do ponto de vista de quem pedala a bike elétrica é uma perda, você está abrindo mão de um ótimo exercício e do prazer que decorre dele (sempre cheguei no trabalho ligadão e muito alegre), mas do ponto de vista de quem é escravo de um carro, é uma maravilha, uma libertação, tanto do trânsito quanto da burocracia (e perigos da velocidade) envolvidos em usar uma moto, mas lembro: não serve para os apressadinhos, a velocidade e o seu comportamento é igual ao dos demais ciclistas.

OBS.: Não esqueçam que hoje tem Bicicletada na Zona Leste. Com bonde as 18:30hrs saindo da Praça do Ciclista e começando as 20:00hrs na Praça Silvio Romero no Tatuapé.
Mais informações http://bicicletada.org/saopaulo-zl

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Sobre youkaidag

Sou analista de sistemas, adoro música e video games, e acabei abraçando a bicicleta como meio de transporte. Aprendi que com a bicicleta a vida fica mais simples, mais fácil e o melhor de tudo divertida.
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