Descida (ou quase isso) pra Santos

Há três semanas atrás me chamaram pra descer pra Santos, falaram que seria meu batismo de cicloviagem. Já haviam me chamado diversas vezes, e sempre calhava de algum compromisso na mesma data, e até da falta de grana pra arrumar algo na bike, mas dessa vez coloquei na cabeça que eu teria uma semana pra me preparar e arrumar mais pessoas pra me acompanhar. Enfim planejei tudo.

Na sexta-feira véspera da cicloviagem, tinha planejado de levar a bike pra uma revisão, tudo começou a dar errado, reuniões no trabalho, atrasos e imprevistos, tudo que uma pessoa que deixa as coisas pra última hora já esperava. Acabou que eu mesmo fiz uma revisão geral.

O céu estava querendo nos assustar

Chegou o sábado da manhã da viagem, a previsão era de chuva, mas eu já não estava ligando, estava com a cabeça bem cheia, stressado, e quase sem vontade de ir. Cheguei ao local marcado, Habib’s do Jabaquara, encontrei os amigos, e chegamos a conclusão que seria no mínimo divertido. Passado pouquissímo tempo começou a esfriar, e olhando pro céu a impressão não era nada boa.

Para evitar problemas com policia, ou algo do tipo, começamos a sair em pequenos grupos, até que chegamos na estrada. Eu nunca havia pedalado na estrada, você vê o horizonte, e tem a ciência que esta bem longe do seu destino. Começa a passar pequenos pensamentos na sua cabeça,  será que a bike vai aguentar? Será que eu vou aguentar? Todos estão bem? E você vai seguindo.

Ainda tinha muito chão pela frente, com garoa e neblina

Ainda tinha muito chão pela frente, com garoa e neblina

Em muitos trechos acabamos pedalando sozinhos, o que é muito bom pra refletir, pra perceber o que você é em relação ao mundo, tão frágil, tão pequeno, ao mesmo tempo que vê a vida te dando inúmeras possibilidades.

Paramos em um posto pra encher o pneu de um amigo, quando ele olhou o meu disse que estava murcho, resolvi aceitar a ideia e calibrar mais, foi um milagre e um aprendizado, pneus na estrada bem calibrados rendem bem melhor, afinal não tem buracos. E uma outra coisa, um chocolatinho da uma ajuda tremenda no meio do pedal.

Passamos por um pedágio onde haviam policiais, passamos tão em silêncio, que eles mal nos viram, nem nos questionaram de nada. Pedalamos mais alguns quilômetros e chegamos ao Rancho da Pamonha, foi a primeira parada com fins de descanço, e também pra juntar o pessoal.

Você acha que alguém estava cansado ou triste?

Abastecidos e com novo fôlego seguimos a viagem, haviam dito que faltava pouco pra começarmos a realmente descer pra Santos, digo isso porque o percurso é um tanto mentiroso quando se fala em descer pra Santos, acredito que até esse momento tinhamos pego uma única descida, o resto eram subidas bem leves e retas. Até chegarmos na Estrada da Manutenção. Logo de cara pegamos uma subida cheia de pedras, e lá foi a minha primeira patinada e frio na barriga, meus pneus street não ajudam muito nas pedras, e quase fui pro chão.

Aqui da pra sentir o quanto tava liso

Chegamos enfim as descidas, um rapaz que já era mais experiente juntou o grupo e pediu pra que todos tomassem cuidado, e não abusassem da velocidade. Tinha garoado bastante, e a estrada não tem tanta manutenção como o nome diz, o que deixa muito limo, com a garoa aquilo virou um sabão.

Só assim pra parar e tirar foto em uma cachoeira

Comecei a descida e me senti uma criança andando de bike pela primeira vez, a paisagem era gostosa, o ar estava gostoso, e a sensação de liberdade era enorme. Afinal estava fazendo uma viagem dependendo apenas das minhas pernas e da minha bike. Nesse trajeto vi uma paisagem linda, que remete ao que o Brasil tem de “sobra”, mas que as pessoas pouco valorizam, nossa flora. A Estrada da Manutenção passa pelo Parque Ecológico, que poderia ser melhor conservado e com menos intervenção humana, mas que nos mostra como a natureza é bonita. Passar de bike ao lado de uma cachoeira, e beber água de uma fonte, não tem viagem de carro ou ônibus que faça.

Após muita descida e muitas subidas, sim tem alguns paredões no meio da descida, chegamos ao final da estrada. Nesse trecho lembrei que precisava de repelente, fiquei cheio de picadas de borrachudo, mas foi bom pra me preparar melhor para a próxima viagem. Como havíamos chego rápido esperamos uns 30 minutos o resto do pessoal, ninguém mais aparecia, então resolvemos fazer o resto do percurso em 6 pessoas.

Andamos bastante na estrada ao lado de carros, caminhões e ônibus, reparei que na baixada Paulista o respeito é até maior, creio que pela grande quantidade de pessoas que usam a bike como transporte, claro que nós de capacetes e com bagagem chamamos atenção das pessoas, mas pareciam olhar pra gente com uma certa admiração.

Enfim, a praia

Após 7 horas, finalmente vimos a praia, naquele momento o que mais queríamos ver era um prato de comida, estavamos famintos. O desgaste da viagem é grande, mas a satisfação é maior ainda.

Resumindo quem tiver oportunidade vá fazer uma viagem desse tipo, é muito gostoso, de verdade. Porém vá com um grupo onde tenha pessoas experientes, e respeite o que eles te falarem. Lembre-se de revisar a bike, principalmente os freios, você vai precisar deles. Agora se não sabe nem por onde começar, visite no orkut a comunidade “Passeios ciclisticos em SP“.

Valeu Claudio e Sato, por me acompanharem nessa! E também aos outros que fizeram parte da viagem.

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Sobre youkaidag

Sou analista de sistemas, adoro música e video games, e acabei abraçando a bicicleta como meio de transporte. Aprendi que com a bicicleta a vida fica mais simples, mais fácil e o melhor de tudo divertida.
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2 respostas para Descida (ou quase isso) pra Santos

  1. Claudio Br disse:

    Foi muito legal e você é um baita parceiro de pedalada, seja na cidade, seja na estrada (rimou).

  2. Gustavo Sato disse:

    Daniel quebrou tudo, temos que armar outra urgente! Grande parceiro!

    Forte abraço.

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