Um mês cheio de mobilidade

Esse mês tivemos muitas discussões ao que se diz respeito a mobilidade urbana, com diversas palestras e o assunto em pauta. Com isso é automático falarmos sobre bicicletas, afinal muitos países já perceberam que nela esta a salvação pra muitas coisas.

Paraciclo externo no SESC, dentro também tinha mais bikes (foto por Vá de Bike)

Fui ao máximo de palestras que consegui começando pela sobre “Mulheres e a bicicleta” (que já fiz um post sobre). Na semana seguinte fui a uma palestra no Sesc Pinheiros, que teve a presença do David Byrne e de outras pessoas formadoras de opinião. Ouvimos falar muito sobre experiências com bicicletas em grandes cidades no mundo e as particularidades em cada uma delas, e uma coisa me chamou atenção a expressão “cidade para pessoas” começou a ter um sentido bem maior pra mim. Esse termo é usado para cidades que deixaram de pensar em cidades que facilitem o uso da cidade para os carros e passam a pensar no bem estar das pessoas, afinal olhe a sua volta, quanto espaço esta utilizado por carros ou é destinado parra eles? E sim, esse espaço poderia ser uma praça, um parque e até uma quadra.

Isso tudo me chamou atenção, o David Byrne comentou que nos EUA fizeram um teste e fecharam uma grande avenida e convidaram as pessoas a irem até ela, e o resultado foi o esperado, as pessoas usaram aquele espaço antes destinado a carros para seu lazer, o comércio a principio não gostou, mas percebeu depois que o número de vendas subiu, o que prova que nem sempre vale uma loja em uma grande avenida movimentada por carros, se as pessoas não saem deles.

Parece que os carros ocupam um pouco mais de espaço

O Eduardo Alcantara lembrou que jogava bola nas ruas do Itaim, hoje algo impraticável, e o secretário de transportes mostrou que a prefeitura esta de olho nesta mudança, e que jà tentam implantar projetos pra ajudar a integrar esse compartilhamento das ruas entre automóveis, bicicletas e pedestres, mas apontou a dificuldade que se tem devido a burocracia e a cultura do brasileiro.

Na outra semana tivemos um ótimo papo com o William Cruz, que escreve o blog Vá de bike e com a Soninha. O William falou sobre as vantagens de se usar a bicicleta como transporte, mais que isso, mostrou que além de totalmente possível não requer tantas coisas como as pessoas pensam, pois ele mesmo estava vestindo a roupa de trabalho (camisa, calça de sarja e sapato), resumindo desmistificou muita coisa que as pessoas pensam, e nós ciclistas urbanos sempre tentamos mudar.

Censo demográfico de São Paulo do ano 2000, os locais escuros é onde concentra a maior parte da população

A Soninha veio dizer de mais uma coisa que me chamou atenção, aumentar a população na região central, afinal hoje o centro é marginalizado e visto com maus olhos, mas tem uma riqueza cultural enorme. Ela comentou que existem projetos pra isso, mas que muitas vezes demora muito ou cai no esquecimento nos processos burocráticos. O ganho disso é pra toda cidade, pois torna a cidade mais segura e mais simples, como ela disse as pessoas hoje moram e trabalham em locais muito distantes, o que gera um gasto desnecessário de investimento público, causa insatisfação da população e uma má qualidade de vida. Enfim um assunto a se pensar e a se cobrar, porque precisa de investimento do setor privado e também do público.

A interação do homem com a natureza

E por último tivemos as palestras sobre cicloturismo, mostrando que a prática de usar a bicicleta além de ser um transporte, é um equipamento que te auxilia na integração com a viagem, com a cultura e com os habitantes do local. Uma viagem de bicicleta é mais proveitosa, desde o seu início, pela sua visão do meio, pela sua percepção do que ocorre ao redor. O Serginho presidente do CAB (Clube amigos da bicicleta) disse que ao chegar as lugares de bike era melhor recebido, e o Guilherme Cavallari da Kalapalo explicou, normalmente os locais onde fazemos cicloturismo é no interior dos estados, onde a população é mais humilde, então quando se chega de carro ou com outro meio de transporte você apenas usou seu dinheiro pra tal, agora quando se chega de bike e esta estampado no rosto todo seu esforço para estar ali, o morador te admira e te trata com respeito. Resumindo, o que precisamos começar a pensar é em soluções que simplifiquem nossas vidas e que as torne mais prazerosa. Li uma frase essa semana que retrata que algo esta errado, segue:

“É muito surpreendente que a nossa sociedade chegou a um ponto onde o esforço necessário para extrair petróleo do solo, enviá-lo para uma refinaria, transformá-lo em plástico, moldá-lo de forma adequada, transportá-lo de caminhão para uma loja, comprá-lo, e trazê-lo até sua casa, é considerado menos esforço do que o necessário para lavar a colher quando tiver terminado de usá-la.”

 

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Sobre youkaidag

Sou analista de sistemas, adoro música e video games, e acabei abraçando a bicicleta como meio de transporte. Aprendi que com a bicicleta a vida fica mais simples, mais fácil e o melhor de tudo divertida.
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